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Habilidades Interpessoais Ensinadas na DBT: Melhorando Relacionamentos e Comunicação

A Terapia Comportamental Dialética (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan, é uma abordagem terapêutica eficaz para o tratamento de transtornos de personalidade borderline, transtornos de humor, transtornos de ansiedade e outros problemas emocionais complexos. Um dos componentes fundamentais dessa terapia é o desenvolvimento de habilidades interpessoais, que são essenciais para melhorar os relacionamentos e a comunicação.



Neste artigo, exploraremos as habilidades interpessoais ensinadas na DBT, como elas podem transformar a forma como nos relacionamos com os outros e como aplicá-las no cotidiano.


O Que São Habilidades Interpessoais na DBT?


As habilidades interpessoais na DBT são técnicas e estratégias desenvolvidas para ajudar os indivíduos a melhorar sua comunicação, resolver conflitos de forma saudável e manter relacionamentos equilibrados. Essas habilidades são essenciais para pacientes com dificuldades emocionais, como os que sofrem de transtorno de personalidade borderline, transtornos de ansiedade social, e depressão, que frequentemente têm dificuldades em interagir de maneira eficaz com os outros.


A DBT ensina habilidades de aceitação e mudança, ajudando os pacientes a encontrar o equilíbrio entre preservar seus próprios interesses e manter relações saudáveis. Através de um conjunto de técnicas, os pacientes aprendem a se expressar de forma clara, assertiva e respeitosa, ao mesmo tempo em que cuidam de suas próprias necessidades e emoções.


As 4 Habilidades Interpessoais na DBT


A DBT ensina quatro habilidades principais para melhorar a comunicação e os relacionamentos interpessoais. Essas habilidades são ensinadas de maneira gradual, por meio de sessões de terapia, exercícios e tarefas para casa. Elas ajudam os pacientes a lidar com conflitos, melhorar sua autoestima e estabelecer limites saudáveis.


1. Assertividade


A assertividade é a habilidade de expressar suas necessidades, desejos e sentimentos de maneira clara, direta e respeitosa, sem ser passivo ou agressivo. Pessoas com dificuldades emocionais muitas vezes têm dificuldades em ser assertivas, tendendo a suprimir suas necessidades ou agredir os outros quando se sentem frustradas.


Na DBT, os pacientes aprendem a defender seus direitos de maneira equilibrada, garantindo que suas necessidades sejam respeitadas sem prejudicar os outros. Isso envolve:


  • Expressar sentimentos e opiniões de forma direta, sem hesitação.
  • Pedir o que precisam sem se sentir culpados.
  • Recusar pedidos de forma educada, quando necessário.
  • Lidar com críticas de maneira construtiva.


2. Escuta Ativa


A escuta ativa envolve prestar atenção plena ao que o outro está dizendo, demonstrando empatia e compreensão. Na DBT, os pacientes aprendem a ouvir não apenas as palavras, mas também as emoções e intenções por trás do que está sendo dito. Isso ajuda a construir uma conexão mais profunda com os outros e evita mal-entendidos.


A escuta ativa é fundamental para:


  • Entender as necessidades e perspectivas dos outros.
  • Responder de maneira empática e respeitosa.
  • Evitar reações impulsivas que podem levar a discussões desnecessárias.


3. Manutenção de Limites Saudáveis


Estabelecer limites saudáveis é essencial para proteger o bem-estar emocional e garantir que as relações sejam equilibradas. A DBT ensina como dizer "não" de forma respeitosa, sem culpa, e como manter os limites, especialmente quando o comportamento do outro está afetando negativamente a relação.

Os pacientes aprendem a:


  • Estabelecer limites claros com os outros.
  • Dizer não de forma assertiva e sem remorso.
  • Proteger seu espaço emocional, sem permitir abusos ou manipulações.
  • Respeitar os limites dos outros, promovendo relações baseadas em respeito mútuo.


4. Resolução de Conflitos


A resolução de conflitos é uma habilidade essencial para lidar com desentendimentos e desavenças em qualquer tipo de relacionamento. A DBT oferece estratégias práticas para lidar com conflitos de forma calma, racional e construtiva, evitando escaladas emocionais que podem prejudicar a relação.

A resolução de conflitos na DBT inclui:


  • Focar no problema e não na pessoa, evitando ataques pessoais.
  • Manter a calma, mesmo quando o outro está emocionalmente abalado.
  • Procurar soluções colaborativas que atendam às necessidades de ambos.
  • Reconhecer e validar os sentimentos do outro, mesmo que você discorde.


Benefícios das Habilidades Interpessoais na DBT


As habilidades interpessoais ensinadas na DBT oferecem uma série de benefícios, tanto para os pacientes quanto para aqueles ao seu redor. Entre os principais benefícios, destacam-se:


1. Melhora na Comunicação e Entendimento Mútuo


Aprender a se comunicar de forma clara e assertiva, além de praticar a escuta ativa, pode melhorar significativamente a qualidade das interações e fortalecer os relacionamentos interpessoais.


2. Redução de Conflitos e Mal-entendidos


Ao desenvolver habilidades de resolução de conflitos e manutenção de limites, os pacientes conseguem reduzir a frequência e a intensidade de conflitos em suas relações, criando um ambiente de maior harmonia e respeito mútuo.


3. Aumento da Autoestima e Confiança


Ser assertivo e defender suas necessidades sem sentir culpa contribui para o aumento da autoestima e confiança. Isso ajuda os pacientes a se sentirem mais seguros e capazes de manter relações saudáveis e equilibradas.


4. Melhor Controle Emocional


Ao aprender a lidar com os conflitos de maneira construtiva e a manter limites saudáveis, os pacientes conseguem gerenciar melhor suas emoções, evitando reações impulsivas que podem prejudicar seus relacionamentos.


Como Aplicar as Habilidades Interpessoais no Dia a Dia?


A aplicação das habilidades interpessoais da DBT não se limita ao consultório terapêutico; elas podem ser praticadas no cotidiano para melhorar a qualidade de vida. Aqui estão algumas dicas para incorporar essas habilidades no dia a dia:


  • Pratique a assertividade: Sempre que sentir que suas necessidades não estão sendo atendidas, tente expressá-las de forma clara e respeitosa.
  • Escute ativamente: Quando conversar com alguém, dedique total atenção à pessoa, refletindo sobre o que ela está dizendo e validando suas emoções.
  • Estabeleça limites: Se alguém cruzar um limite importante para você, use a assertividade para comunicar esse limite de forma calma e firme.
  • Resolução de conflitos: Em situações de desentendimento, tente manter a calma, focar na solução e reconhecer as emoções da outra pessoa.


Conclusão


As habilidades interpessoais ensinadas na Terapia Comportamental Dialética (DBT) são ferramentas poderosas para melhorar a qualidade dos relacionamentos e comunicação. Elas ajudam os pacientes a se expressar de forma assertiva, a resolver conflitos de maneira construtiva e a estabelecer limites saudáveis, promovendo relações mais equilibradas e respeitosas.

Essas habilidades são especialmente úteis para pacientes com dificuldades emocionais, como aqueles com transtorno de personalidade borderline, ansiedade social ou transtornos de humor, pois oferecem maneiras práticas de melhorar suas interações sociais e emocionais.


Se você deseja aprender mais sobre a DBT e outras técnicas terapêuticas, considere se inscrever na nossa Formação Permanente da IC&C, onde você aprenderá como aplicar essas habilidades em sua prática clínica.


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Por Matheus Santos 25 de maio de 2026
Os testes de Fluência Verbal avaliam a capacidade de gerar palavras rapidamente sob restrições específicas.  Existem duas versões principais: Fluência Fonêmica (FAS - gerar palavras começando com letras específicas) e Fluência Semântica (Animais - gerar nomes de animais). Avaliam funções executivas, acesso lexical e linguagem, sendo sensíveis a lesões frontais (fonêmica) e temporais (semântica). Ficha Técnica NOME: Testes de Fluência Verbal - FAS e Animais EDITORA BRASIL: Domínio público / múltiplas fontes DISPONIBILIDADE BRASIL: Amplamente disponível POPULAÇÃO: Crianças (8+), adultos TEMPO: 3 minutos total (1 min cada letra/categoria)
Por Matheus Santos 25 de maio de 2026
O RAVLT (Rey Auditory Verbal Learning Test) é um dos testes mais utilizados para avaliar memória verbal episódica e aprendizagem. Desenvolvido por André Rey em 1964, o teste consiste em aprender uma lista de 15 palavras através de 5 apresentações repetidas, avaliando curva de aprendizagem, interferência e retenção após intervalo. É amplamente utilizado em avaliações de amnésia, demências, lesões temporais mediais e monitoramento declínio cognitivo. Ficha Técnica NOME: RAVLT - Teste Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey AUTOR: André Rey (1964) EDITORA BRASIL: Vetor Editora DISPONIBILIDADE BRASIL: Sim POPULAÇÃO: Adolescentes, adultos, idosos TEMPO: 15-20 minutos APROVAÇÃO SATEPSI: Sim
Por Matheus Santos 25 de maio de 2026
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Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
O BAI (Beck Anxiety Inventory) é uma escala autoaplicável amplamente utilizada para avaliar a intensidade de sintomas ansiosos. Desenvolvido por Aaron Beck em 1988, o instrumento contém 21 itens focando predominantemente em sintomas somáticos e fisiológicos da ansiedade. A adaptação brasileira é realizada pela Casa do Psicólogo e está aprovada pelo SATEPSI para uso profissional no Brasil. Ficha Técnica NOME: BAI - Inventário de Ansiedade de Beck AUTOR: Aaron T. Beck (1988) EDITORA BRASIL: Hogrefe DISPONIBILIDADE BRASIL: Sim POPULAÇÃO: Adolescentes (13+) e adultos TEMPO: 5-10 minutos  APROVAÇÃO SATEPSI: Sim
Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
A Figura Complexa de Rey é um dos testes neuropsicológicos mais utilizados mundialmente para avaliar habilidades visuoconstrutivas, memória visual e funções executivas. Desenvolvida por André Rey em 1941, a tarefa consiste em copiar uma figura geométrica complexa e posteriormente reproduzi-la de memória. O teste permite avaliar múltiplas funções cognitivas simultaneamente: percepção visual, planejamento, organização, memória visuoespacial e habilidades construtivas. Ficha Técnica NOME: Teste da Figura Complexa de Rey (Rey-Osterrieth Complex Figure Test - ROCF) AUTOR: André Rey (1941), padronização Paul-Alexandre Osterrieth (1944) EDITORA BRASIL: Casa do Psicólogo DISPONIBILIDADE BRASIL: Sim, manual e materiais disponíveis POPULAÇÃO: Crianças (a partir 5 anos), adolescentes, adultos, idosos TEMPO APLICAÇÃO: 10-15 minutos total (cópia + memória) TIPO: Aplicação individual, papel-lápis  APROVAÇÃO SATEPSI: Sim
Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
BDI-II (O Inventário de Depressão de Beck – Segunda Edição, desenvolvido por Aaron Beck e colaboradores (1996), com adaptação brasileira pela Casa do Psicólogo (2011), é um instrumento autoaplicável amplamente reconhecido mundialmente para a avaliação rápida da intensidade dos sintomas depressivos. Composto por 21 itens, abrange sintomas cognitivos (como desesperança, autocrítica e ideação suicida), afetivos (tristeza, anedonia e choro), somáticos (fadiga, alterações no sono e apetite, e sintomas físicos) e comportamentais (agitação, retardo psicomotor e perda de interesse), fundamenta-se nos critérios diagnósticos do DSM-IV para o Transtorno Depressivo Maior. O respondente deve selecionar a afirmação (avaliada de 0 a 3 pontos para cada item) que melhor descreve como se sentiu nas ÚLTIMAS DUAS SEMANAS, resultando em uma pontuação total que varia de 0 a 63 pontos, interpretada conforme os pontos de corte estabelecidos (0-13 = depressão mínima, 14-19 = leve, 20-28 = moderada, 29-63 = grave). Assim, permite uma triagem rápida de episódios depressivos, monitoramento longitudinal dos sintomas ao longo do tratamento psicoterapêutico ou farmacológico, e avaliação da eficácia das intervenções através da comparação dos escores pré e pós-tratamento.  As vantagens do BDI-II incluem uma aplicação extremamente rápida (entre 5 a 10 minutos de autoaplicação), baixo custo (sendo um instrumento de domínio público no Brasil após a adaptação validada), boa aceitabilidade entre os pacientes (devido às questões claras e diretas) e uma extensa base de evidências psicométricas que demonstram validade e fidedignidade adequadas para a população brasileira (com alpha de Cronbach superior a 0,90 e correlações esperadas com outros instrumentos de avaliação da depressão). Por essas razões, o BDI-II torna-se uma ferramenta essencial na prática clínica de psicólogos e psiquiatras, tanto para a triagem inicial quanto para o acompanhamento sistemático da evolução da sintomatologia depressiva em pacientes atendidos ambulatorialmente.
Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
O WISC-V (Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças - Quinta Edição), desenvolvido por David Wechsler e publicado originalmente em 2014 nos Estados Unidos, teve sua adaptação brasileira realizada pela Pearson Clinical/Casa do Psicólogo entre 2021 e 2022. Este instrumento é considerado o padrão-ouro na avaliação da inteligência de crianças e adolescentes com idades entre 6 anos e 0 meses até 16 anos e 11 meses, oferecendo uma medida abrangente do funcionamento cognitivo por meio de cinco índices principais: Índice de Compreensão Verbal (ICV), que mensura o raciocínio verbal, compreensão e conhecimento adquirido; Índice Visuoespacial (IVE), que avalia o raciocínio visuoespacial e a integração; Índice de Raciocínio Fluido (IRF), que mede o raciocínio indutivo/dedutivo e quantitativo; Índice de Memória Operacional (IMO), que avalia a memória de trabalho; e Índice de Velocidade de Processamento (IVP), que mensura a velocidade de processamento da informação visual. Esses índices são derivados de 10 subtestes principais e 5 suplementares, permitindo o cálculo do QI Total, que oferece uma estimativa global da capacidade intelectual e uma análise detalhada do perfil cognitivo, identificando forças e fraquezas específicas da criança, elemento crucial para o diagnóstico diferencial de dificuldades de aprendizagem (como dislexia e discalculia), superdotação, TDAH, deficiência intelectual, e no planejamento de intervenções educacionais individualizadas. A aplicação do WISC-V exige que seja realizada de forma individual e padronizada (com uma duração típica entre 60 a 90 minutos) por um psicólogo treinado, seguindo rigorosos protocolos que garantem a validade dos resultados. A correção resulta em escores padronizados (com média 100 e desvio-padrão 15 para o QI Total e índices; média 10 e desvio-padrão 3 para os subtestes), permitindo a comparação do desempenho da criança com grupos normativos da mesma faixa etária.  A interpretação é realizada em múltiplos níveis, começando pelo QI Total (indicador da capacidade geral), avançando para a análise dos índices específicos, que revelam um padrão único das habilidades cognitivas da criança e informam hipóteses clínicas relacionadas ao seu funcionamento neuropsicológico subjacente e às suas necessidades educacionais específicas.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para depressão, desenvolvida por Aaron Beck na década de 1960, fundamenta-se na observação clínica de que pacientes deprimidos tendem a apresentar padrões de pensamento sistematicamente negativos e distorcidos, os quais precedem e mantêm o humor depressivo. Essa abordagem consiste em um tratamento psicológico estruturado e baseado em evidências, que foca na identificação e modificação de cognições disfuncionais (pensamentos automáticos negativos sobre si mesmo, o mundo e o futuro, formando a tríade cognitiva negativa característico da depressão) e de padrões comportamentais desadaptativos (como inatividade, isolamento social e evitação de atividades prazerosas, os quais perpetuam a anedonia). A TCC utiliza técnicas específicas, incluindo reestruturação cognitiva (através do questionamento socrático sobre as evidências dos pensamentos negativos e a geração de alternativas equilibradas e realistas), ativação comportamental (com o agendamento sistemático de atividades prazerosas e de maestria, combatendo a inércia depressiva), monitoramento de pensamentos e emoções através de registros diários que revelam as conexões entre cognição e humor, experimentos comportamentais que testam a validade de predições catastróficas, e modificação de esquemas subjacentes (como crenças nucleares profundas, tais como "Sou inadequado" e "Não sou amável", desenvolvidas a partir de experiências adversas na infância). O tratamento é normalmente organizado em um protocolo estruturado de 12 a 20 sessões, incluindo uma fase inicial de avaliação e construção de uma relação terapêutica colaborativa, uma fase de intervenção ativa que aplica técnicas cognitivo-comportamentais focadas nos sintomas específicos identificados (como humor deprimido, anedonia, desesperança, inatividade e pensamentos suicidas, quando presentes), e uma fase de prevenção de recaída, que consolida as habilidades aprendidas e identifica sinais precoces de recorrência da depressão, desenvolvendo um plano de ação preventivo. A eficácia da TCC no tratamento da depressão é estabelecida por mais de 75 metanálises, as quais demonstram tamanhos de efeito grandes (d=0,70-0,90), comparáveis aos de medicamentos antidepressivos, e superiores a longo prazo, devido à aquisição de habilidades cognitivo-comportamentais que persistem após o tratamento, reduzindo o risco de recaída em 50% em comparação com pacientes que descontinuaram a medicação. Assim, a TCC é recomendada como primeira linha de tratamento para depressão leve a moderada em monoterapia e para depressão moderada a severa em combinação com medicação, conforme diretrizes internacionais (APA, NICE). Isso torna essencial para os profissionais de saúde mental compreenderem o modelo cognitivo da depressão e dominarem as técnicas específicas da TCC, a fim de oferecer tratamentos baseados em evidências que maximizem a recuperação funcional dos pacientes deprimidos.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem psicoterapêutica bem estruturada e fundamentada em evidências, desenvolvida por Aaron Beck e Albert Ellis nas décadas de 1960. O que a distingue essencialmente de outras orientações terapêuticas são suas características específicas, que incluem um foco no presente e no futur o (trabalhando questões atuais e desenvolvendo habilidades para o futuro em vez de uma ampla exploração do passado), uma estrutura sistemática nas sessões (com uma agenda colaborativa, tarefas de casa definidas e mensuração objetiva do progresso, em contrapartida a sessões não-diretivas que fluem livremente), e um modelo teórico que liga cognições, emoções e comportamentos (onde os pensamentos influenciam as emoções e comportamentos, e as cognições disfuncionais são modificadas por técnicas específicas, ao invés de modelos psicodinâmicos que exploram o inconsciente e a transferência ou abordagens humanistas que focam na autorrealização). A TCC adota uma orientação voltada para a solução de problemas (identificando questões específicas e mensuráveis e aplicando técnicas direcionadas, em contraste com um enfoque mais amplo em insights e crescimento pessoal) e apresenta uma brevidade relativa (comumente de 12 a 20 sessões para transtornos frequentes, ao passo que a psicanálise tradicional pode prolongar-se por anos). Além disso, destaca-se sua ênfase no empirismo colaborativo (onde terapeuta e paciente testam hipóteses por meio de experimentos comportamentais, em oposição a interpretações do terapeuta ou reflexões não-diretivas). Essa abordagem contrasta especialmente com a psicanálise/psicodinâmica, que foca em conflitos inconscientes do passado por meio de interpretações de transferência e resistência ao longo de muitos anos de terapia, assim como com abordagens humanistas (como as de Rogers e Gestalt), que enfatizam aceitação incondicional e empatia para facilitar a autorrealização, em comparação com técnicas estruturadas de mudança. Inclusive se comparamos com as terapias cognitivas de terceira onda (como ACT e DBT), que diferem da TCC tradicional ao buscar não apenas a mudança no conteúdo das cognições, mas na relação que se estabelece com elas (como no caso da defusão e aceitação abordadas pela ACT) e na adição de validação dialética e regulação emocional intensa pela DBT, além das técnicas padrão da TCC. Compreender essas diferenças fundamentais é essencial para a escolha da terapia mais adequada de acordo com o transtorno específico (com a TCC apresentando forte evidência para ansiedade, depressão e TOC, a DBT sendo indicada para Borderline e a psicodinâmica oferecendo insights profundos sobre conflitos relacionais), as preferências do paciente (por exemplo, alguns podem preferir a estrutura da TCC enquanto outros optam pela exploração psicodinâmica ou acolhimento humanista) e os objetivos do tratamento (como busca por redução rápida de sintomas versus crescimento pessoal a longo prazo). É importante reconhecer que múltiplas abordagens podem ser eficazes por meio de mecanismos distintos e que uma integração eclética e responsiva pode proporcionar a flexibilidade terapêutica necessária para otimizar resultados individualizados.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT - Acceptance and Commitment Therapy) , desenvolvida por Steven Hayes e seus colegas em 1999 , representa uma abordagem terapêutica de terceira onda dentro das terapias cognitivo-comportamentais , com foco no desenvolvimento da flexibilidade psicológica . Esta flexibilidade refere-se à capacidade de estar plenamente presente e contatar experiências internas desafiadoras , como pensamentos, emoções e sensações, sem recorrer à esquiva experiencial, ao invés de tentar mudá-las ou controlá-las. Simultaneamente, busca-se tomar ações direcionadas a valores pessoais significativos. A ACT operacionaliza essa flexibilidade por meio de seis processos centrais interconectados, apresentados no modelo Hexaflex , que inclui aceitação (a abertura voluntária à experiência interna em contraste com a esquiva), defusão cognitiva (a observação de pensamentos como eventos mentais passageiras em vez de verdades absolutas), o eu-contexto (a perspectiva do eu como um observador que transcende o conteúdo da experiência), o contato com o momento presente (uma atenção plena flexível no aqui e agora em oposição à ruminação sobre o passado e à preocupação com o futuro), valores clarificados (as direções de vida escolhidas livremente que refletem as importâncias mais profundas) e ação comprometida (padrões de ação orientados por valores, mesmo diante de barreiras psicológicas). Esse enfoque distingue-se fundamentalmente da terapia cognitivo-comportamental tradicional de primeira onda, que se concentra na mudança do conteúdo das cognições disfuncionais por meio da reestruturação cognitiva que questiona a validade de pensamentos negativos. Em contrapartida, a ACT propõe uma mudança na relação com as cognições (e não no conteúdo delas) , utilizando a defusão para reconhecer os pensamentos como eventos mentais não literais, permitindo, assim, uma ação orientada por valores, independentemente da presença de pensamentos e emoções difíceis. A aplicação da ACT fundamenta-se na Teoria da Moldura Relacional (Relational Frame Theory - RFT) , que explica como a linguagem e a cognição humanas geram sofrimento psicológico por meio de processos simbólicos verbais, como fusão cognitiva, raciocínios distorcidos e esquiva experiencial. Isso torna a ACT uma abordagem paradoxal, pois seu objetivo não é eliminar sintomas (como ansiedade, tristeza ou dor), mas sim aumentar a disposição para experimentá-los enquanto se avança em direção a uma vida significativa e orientada por valores. A eficácia da ACT é particularmente evidente em condições onde o controle ou a esquiva dos sintomas perpetuam o problema, como na ansiedade generalizada, dor crônica ou depressão recorrente. Esta eficácia é corroborada por mais de 300 ensaios clínicos randomizados, que demonstram a eficácia da ACT com tamanhos de efeito moderados a grandes (d=0,50-0,80) , sendo comparável à terapia cognitivo-comportamental tradicional, mas com a vantagem adicional de apresentar uma menor taxa de recaída a longo prazo em condições crônicas.
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