Processos psicológicos centrais: Como identificar alvos terapêuticos além do diagnóstico na prática clínica baseada em evidências
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Na clínica contemporânea, um dos maiores desafios não é reconhecer diagnósticos, mas decidir onde intervir. Muitos profissionais relatam a mesma experiência: o diagnóstico está claro, os critérios foram preenchidos, mas a escolha da intervenção continua incerta. Isso acontece porque o diagnóstico descreve categorias, enquanto a intervenção exige a identificação de processos psicológicos ativos.
É nesse ponto que a clínica baseada em evidências exige uma mudança de foco: sair do rótulo diagnóstico e avançar para a identificação dos processos psicológicos centrais que organizam e mantêm o sofrimento do paciente.
Por que o diagnóstico não aponta diretamente o alvo terapêutico
Como discutido em Por que o diagnóstico não decide o tratamento, sistemas classificatórios como DSM e CID organizam sintomas, mas não indicam necessariamente o que precisa ser modificado para que a mudança clínica ocorra.
Dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem compartilhar poucos elementos funcionais em comum. Ainda assim, frequentemente recebem intervenções semelhantes, baseadas mais no rótulo do que no funcionamento psicológico real.
A pergunta clínica central não é:
“Qual é o transtorno?”
Mas sim:
“Quais processos estão operando neste caso específico?”
O que são processos psicológicos centrais
Processos psicológicos centrais são padrões funcionais de pensamento, emoção, comportamento e relação com o contexto que contribuem para a manutenção do sofrimento. Eles não pertencem a um diagnóstico específico e podem atravessar diferentes quadros clínicos.
Exemplos frequentes incluem:
- evitação experiencial
- rigidez cognitiva
- déficits de regulação emocional
- padrões de reforçamento disfuncionais
- comprometimento da flexibilidade psicológica
- hipervigilância e monitoramento excessivo
- ruminação e preocupação persistente
Esses processos são transdiagnósticos e clinicamente mais informativos do que categorias isoladas.
Psicopatologia descritiva versus psicopatologia funcional
A psicopatologia tradicional descreve fenômenos. A psicopatologia funcional busca entender o papel que esses fenômenos exercem na vida do paciente.
Como discutido em Do diagnóstico à formulação de caso: como integrar psicopatologia, entrevista clínica e raciocínio terapêutico na prática baseada em evidências, a formulação de caso é o espaço onde essa transição acontece.
O sintoma deixa de ser apenas algo a ser eliminado e passa a ser compreendido como:
- uma tentativa de regulação
- uma resposta aprendida
- uma estratégia de enfrentamento limitada
- um comportamento funcional em determinado contexto
Como identificar processos psicológicos na entrevista clínica
A identificação de processos não ocorre por checklists, mas por escuta clínica qualificada. A entrevista e o exame do estado mental continuam sendo ferramentas centrais, como aprofundado em O pilar insubstituível do diagnóstico: a entrevista clínica e o exame do estado mental.
Algumas perguntas clínicas orientadoras incluem:
- O que o paciente faz quando entra em contato com emoções difíceis
- Como ele tenta evitar, controlar ou suprimir experiências internas
- Que padrões se repetem em diferentes contextos da vida
- O que alivia no curto prazo e piora no longo prazo
- Onde há rigidez e onde há flexibilidade
Essas perguntas revelam processos, não rótulos.
Exemplos clínicos: mesmo diagnóstico, processos diferentes
Dois pacientes com diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada podem apresentar processos centrais distintos:
Paciente A:
- preocupação constante
- evitação de decisões
- busca excessiva por certeza
- comportamento de checagem
Paciente B:
- ruminação retrospectiva
- autocrítica intensa
- supressão emocional
- isolamento social
Ambos compartilham o diagnóstico, mas os alvos terapêuticos são completamente diferentes.
Processos como guias da decisão terapêutica
Quando os processos centrais são identificados, a escolha das intervenções se torna mais precisa. Técnicas deixam de ser aplicadas por protocolo e passam a ser selecionadas por função.
Isso reduz:
- tentativas e erros prolongados
- frustração clínica
- abandono precoce
- rigidez técnica
E aumenta:
- aderência
- clareza terapêutica
- engajamento do paciente
- efetividade clínica
A relação com TCC e terapias contextuais
A Terapia Cognitivo-Comportamental, especialmente em seus modelos contemporâneos, já opera implicitamente com processos.
Crenças, esquemas, comportamentos de segurança, evitação e padrões de reforçamento são exemplos clássicos.
As terapias contextuais ampliam esse olhar ao enfatizar:
- função do comportamento
- contexto histórico e atual
- relação com valores
- flexibilidade psicológica
Esse movimento converge com uma visão de psicopatologia menos categorial e mais funcional.
Processos psicológicos e revisão diagnóstica
Identificar processos também ajuda o clínico a decidir quando:
- manter um diagnóstico
- revisá-lo
- relativizá-lo
- ou abandoná-lo temporariamente
Como discutido em Diagnóstico como hipótese clínica, o diagnóstico deve acompanhar a compreensão do caso, e não o contrário.
Implicações práticas para o clínico
Trabalhar com processos psicológicos centrais implica:
- tolerar incerteza
- abandonar automatismos
- sustentar pensamento clínico
- revisar hipóteses ao longo do tempo
- integrar dados subjetivos e objetivos
Essa postura não é menos científica. Ela é mais fiel à complexidade do sofrimento humano.
Para onde seguimos neste cluster
Este texto consolida o eixo iniciado em:
- Por que o diagnóstico não decide o tratamento
- Diagnóstico como hipótese clínica
E prepara o terreno para os próximos conteúdos do IC&C sobre:
- psicopatologia baseada em processos
- erros clínicos na escolha de alvos terapêuticos
- decisão clínica em casos complexos
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