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Tolerância ao Sofrimento: Técnicas da DBT para Enfrentar Situações Difíceis

A Terapia Comportamental Dialética (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan, é uma abordagem terapêutica eficaz para tratar transtornos emocionais intensos, como o transtorno de personalidade borderline, mas suas técnicas podem ser extremamente úteis para qualquer pessoa que enfrente dificuldades emocionais. Um dos pilares centrais da DBT é a tolerância ao sofrimento. Este conjunto de habilidades visa ajudar o paciente a lidar com situações difíceis de forma mais eficaz, sem recorrer a comportamentos impulsivos ou autodestrutivos.


Neste artigo, vamos explorar o que é a tolerância ao sofrimento na DBT e como suas técnicas podem ser aplicadas para enfrentar momentos de crise e dificuldades emocionais.


O Que é a Tolerância ao Sofrimento na DBT?


A tolerância ao sofrimento na DBT refere-se à capacidade de suportar situações dolorosas ou desconfortáveis sem tentar evitar ou fugir delas de maneira impulsiva ou autodestrutiva. Em vez disso, as pessoas aprendem a aceitar a dor emocional e a lidar com ela de maneira mais adaptativa, sem deixar que ela cause danos adicionais.


A ideia central da tolerância ao sofrimento é que evitar ou minimizar o sofrimento emocional nem sempre é possível ou saudável. Na realidade, muitas situações da vida exigem que enfrentemos desconforto de forma direta. As técnicas de tolerância ao sofrimento ajudam os pacientes a manter o controle emocional, mesmo em momentos de intensa angústia, e a encontrar formas saudáveis de lidar com o sofrimento.


Por Que a Tolerância ao Sofrimento é Importante?


Em muitos casos, a tentativa de evitar a dor emocional leva a comportamentos impulsivos e destrutivos. Por exemplo, pessoas que experimentam sofrimento emocional intenso podem recorrer a estratégias como:


  • Autolesão para "aliviar" a dor.
  • Comportamentos de evitação, como o abuso de substâncias ou o isolamento.
  • Ruminando negativamente, o que intensifica o sofrimento emocional.


Esses comportamentos não resolvem a causa do sofrimento, mas oferecem alívio temporário, frequentemente resultando em mais problemas a longo prazo.


A tolerância ao sofrimento visa interromper esse ciclo, ensinando os pacientes a lidar com o desconforto de maneira mais adaptativa e saudável. Ela promove a aceitação de que algumas situações são dolorosas, mas isso não significa que devemos recorrer a soluções prejudiciais para suportá-las.


Técnicas de Tolerância ao Sofrimento na DBT


A DBT oferece diversas técnicas práticas para ajudar os pacientes a lidar com o sofrimento emocional. Aqui estão algumas das mais eficazes:


1. Aceitação Radical


A aceitação radical é uma das técnicas fundamentais da DBT. Ela envolve aceitar a realidade tal como ela é, sem julgamentos ou tentativas de mudá-la. Em vez de se concentrar no que poderia ser diferente ou melhor, a aceitação radical ensina a aceitar o momento presente e a situação dolorosa como ela é, sem resistência.


Como Funciona:


  • Não julgar a situação: Em vez de dizer "Isso não deveria estar acontecendo", você aprende a dizer "Isso está acontecendo, e eu não posso mudar".
  • Aceitar a dor: Reconhecer que a dor emocional faz parte da vida, e que é possível sobreviver a ela sem se destruir.


Essa técnica ajuda a reduzir a intensidade da angústia emocional, pois ao aceitar a dor, ela perde parte de sua capacidade de controle sobre a pessoa.


2. Distrair a Mente


Quando o sofrimento emocional é excessivo, uma das estratégias para tolerá-lo é desviar a atenção da dor. Distrair a mente de maneira saudável pode proporcionar alívio temporário enquanto a pessoa trabalha em formas mais eficazes de lidar com os sentimentos.


Como Funciona:


  • Mudar de ambiente: Sair de um local estressante para um ambiente mais tranquilo.
  • Engajar-se em atividades prazerosas: Ouvir música, assistir a um filme, ou fazer algo que gere prazer ou interesse.
  • Concentrar-se em uma tarefa concreta: Focar em uma atividade simples, como organizar um espaço ou fazer uma caminhada.


Essas distrações não significam evitar o problema, mas ajudam a pessoa a recuperar o equilíbrio emocional para lidar com a situação de forma mais clara e menos impulsiva.


3. Autocuidado Radical


Em momentos de sofrimento, o autocuidado radical envolve tomar atitudes de cuidado consigo mesmo, mesmo quando se sente o oposto. Isso inclui práticas que promovem o bem-estar físico e emocional, como alimentação saudável, descanso adequado e o cultivo de pensamentos positivos.


Como Funciona:


  • Cuidar do corpo: Garantir que você esteja se alimentando bem, dormindo o suficiente e se exercitando, pois o estado físico impacta diretamente o emocional.
  • Gerenciar o estresse: Utilizar técnicas de relaxamento, como a respiração profunda ou a meditação.
  • Praticar a autocompaixão: Tratar-se com a mesma gentileza e compreensão que você ofereceria a um amigo em sofrimento.


Essas ações ajudam a restaurar a energia emocional e a oferecer a força necessária para enfrentar momentos difíceis com mais equilíbrio.


4. Radical Acceptance de Emoções


O radical acceptance de emoções ensina que as emoções, sejam elas positivas ou negativas, não são "erradas". Em vez de lutar contra a tristeza, raiva ou frustração, a DBT propõe que se aprenda a aceitar e permitir essas emoções, sem se deixar consumir por elas.


Como Funciona:


  • Observação das emoções: Sem tentar mudar ou bloquear as emoções, apenas observe-as e deixe que elas passem.
  • Não rotular a emoção como "errada": Permita-se sentir sem se culpar ou ficar ansioso por estar sentindo.


Essa técnica ajuda a desacelerar a reação emocional e a ver as emoções como parte do processo de adaptação à situação difícil, ao invés de ver as emoções como algo a ser evitado ou punido.


5. Construção de um Plano de Ação


Quando o sofrimento se torna avassalador, a DBT também sugere a criação de um plano de ação. Este plano deve incluir ações práticas que podem ajudar a pessoa a lidar com a situação sem recorrer a comportamentos autodestrutivos.


Como Funciona:


  • Definir passos concretos: Quando uma crise se aproxima, a pessoa pode escrever um plano com passos que incluem distração, autocuidado e ação prática.
  • Buscar ajuda: Incluir no plano a ideia de procurar suporte de amigos, familiares ou profissionais, caso necessário.


Esse plano permite que a pessoa se sinta mais empoderada para lidar com o sofrimento de uma forma proativa, sem se entregar ao desespero.


Aplicando a Tolerância ao Sofrimento na Sua Vida


As técnicas de tolerância ao sofrimento são projetadas para ajudar as pessoas a lidar com momentos difíceis de forma mais saudável. Se você está enfrentando situações desafiadoras, a DBT pode ser uma excelente opção de tratamento.



Na Formação Permanente da IC&C, oferecemos treinamentos e cursos especializados para profissionais de saúde mental, com foco em técnicas baseadas em evidências como as de tolerância ao sofrimento, mindfulness e regulação emocional. Ao aplicar essas técnicas em sua prática clínica, você pode ajudar seus pacientes a enfrentar crises emocionais de forma mais eficaz e saudável.


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Por Matheus Santos 25 de maio de 2026
Os testes de Fluência Verbal avaliam a capacidade de gerar palavras rapidamente sob restrições específicas.  Existem duas versões principais: Fluência Fonêmica (FAS - gerar palavras começando com letras específicas) e Fluência Semântica (Animais - gerar nomes de animais). Avaliam funções executivas, acesso lexical e linguagem, sendo sensíveis a lesões frontais (fonêmica) e temporais (semântica). Ficha Técnica NOME: Testes de Fluência Verbal - FAS e Animais EDITORA BRASIL: Domínio público / múltiplas fontes DISPONIBILIDADE BRASIL: Amplamente disponível POPULAÇÃO: Crianças (8+), adultos TEMPO: 3 minutos total (1 min cada letra/categoria)
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Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
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Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
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Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
BDI-II (O Inventário de Depressão de Beck – Segunda Edição, desenvolvido por Aaron Beck e colaboradores (1996), com adaptação brasileira pela Casa do Psicólogo (2011), é um instrumento autoaplicável amplamente reconhecido mundialmente para a avaliação rápida da intensidade dos sintomas depressivos. Composto por 21 itens, abrange sintomas cognitivos (como desesperança, autocrítica e ideação suicida), afetivos (tristeza, anedonia e choro), somáticos (fadiga, alterações no sono e apetite, e sintomas físicos) e comportamentais (agitação, retardo psicomotor e perda de interesse), fundamenta-se nos critérios diagnósticos do DSM-IV para o Transtorno Depressivo Maior. O respondente deve selecionar a afirmação (avaliada de 0 a 3 pontos para cada item) que melhor descreve como se sentiu nas ÚLTIMAS DUAS SEMANAS, resultando em uma pontuação total que varia de 0 a 63 pontos, interpretada conforme os pontos de corte estabelecidos (0-13 = depressão mínima, 14-19 = leve, 20-28 = moderada, 29-63 = grave). Assim, permite uma triagem rápida de episódios depressivos, monitoramento longitudinal dos sintomas ao longo do tratamento psicoterapêutico ou farmacológico, e avaliação da eficácia das intervenções através da comparação dos escores pré e pós-tratamento.  As vantagens do BDI-II incluem uma aplicação extremamente rápida (entre 5 a 10 minutos de autoaplicação), baixo custo (sendo um instrumento de domínio público no Brasil após a adaptação validada), boa aceitabilidade entre os pacientes (devido às questões claras e diretas) e uma extensa base de evidências psicométricas que demonstram validade e fidedignidade adequadas para a população brasileira (com alpha de Cronbach superior a 0,90 e correlações esperadas com outros instrumentos de avaliação da depressão). Por essas razões, o BDI-II torna-se uma ferramenta essencial na prática clínica de psicólogos e psiquiatras, tanto para a triagem inicial quanto para o acompanhamento sistemático da evolução da sintomatologia depressiva em pacientes atendidos ambulatorialmente.
Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
O WISC-V (Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças - Quinta Edição), desenvolvido por David Wechsler e publicado originalmente em 2014 nos Estados Unidos, teve sua adaptação brasileira realizada pela Pearson Clinical/Casa do Psicólogo entre 2021 e 2022. Este instrumento é considerado o padrão-ouro na avaliação da inteligência de crianças e adolescentes com idades entre 6 anos e 0 meses até 16 anos e 11 meses, oferecendo uma medida abrangente do funcionamento cognitivo por meio de cinco índices principais: Índice de Compreensão Verbal (ICV), que mensura o raciocínio verbal, compreensão e conhecimento adquirido; Índice Visuoespacial (IVE), que avalia o raciocínio visuoespacial e a integração; Índice de Raciocínio Fluido (IRF), que mede o raciocínio indutivo/dedutivo e quantitativo; Índice de Memória Operacional (IMO), que avalia a memória de trabalho; e Índice de Velocidade de Processamento (IVP), que mensura a velocidade de processamento da informação visual. Esses índices são derivados de 10 subtestes principais e 5 suplementares, permitindo o cálculo do QI Total, que oferece uma estimativa global da capacidade intelectual e uma análise detalhada do perfil cognitivo, identificando forças e fraquezas específicas da criança, elemento crucial para o diagnóstico diferencial de dificuldades de aprendizagem (como dislexia e discalculia), superdotação, TDAH, deficiência intelectual, e no planejamento de intervenções educacionais individualizadas. A aplicação do WISC-V exige que seja realizada de forma individual e padronizada (com uma duração típica entre 60 a 90 minutos) por um psicólogo treinado, seguindo rigorosos protocolos que garantem a validade dos resultados. A correção resulta em escores padronizados (com média 100 e desvio-padrão 15 para o QI Total e índices; média 10 e desvio-padrão 3 para os subtestes), permitindo a comparação do desempenho da criança com grupos normativos da mesma faixa etária.  A interpretação é realizada em múltiplos níveis, começando pelo QI Total (indicador da capacidade geral), avançando para a análise dos índices específicos, que revelam um padrão único das habilidades cognitivas da criança e informam hipóteses clínicas relacionadas ao seu funcionamento neuropsicológico subjacente e às suas necessidades educacionais específicas.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para depressão, desenvolvida por Aaron Beck na década de 1960, fundamenta-se na observação clínica de que pacientes deprimidos tendem a apresentar padrões de pensamento sistematicamente negativos e distorcidos, os quais precedem e mantêm o humor depressivo. Essa abordagem consiste em um tratamento psicológico estruturado e baseado em evidências, que foca na identificação e modificação de cognições disfuncionais (pensamentos automáticos negativos sobre si mesmo, o mundo e o futuro, formando a tríade cognitiva negativa característico da depressão) e de padrões comportamentais desadaptativos (como inatividade, isolamento social e evitação de atividades prazerosas, os quais perpetuam a anedonia). A TCC utiliza técnicas específicas, incluindo reestruturação cognitiva (através do questionamento socrático sobre as evidências dos pensamentos negativos e a geração de alternativas equilibradas e realistas), ativação comportamental (com o agendamento sistemático de atividades prazerosas e de maestria, combatendo a inércia depressiva), monitoramento de pensamentos e emoções através de registros diários que revelam as conexões entre cognição e humor, experimentos comportamentais que testam a validade de predições catastróficas, e modificação de esquemas subjacentes (como crenças nucleares profundas, tais como "Sou inadequado" e "Não sou amável", desenvolvidas a partir de experiências adversas na infância). O tratamento é normalmente organizado em um protocolo estruturado de 12 a 20 sessões, incluindo uma fase inicial de avaliação e construção de uma relação terapêutica colaborativa, uma fase de intervenção ativa que aplica técnicas cognitivo-comportamentais focadas nos sintomas específicos identificados (como humor deprimido, anedonia, desesperança, inatividade e pensamentos suicidas, quando presentes), e uma fase de prevenção de recaída, que consolida as habilidades aprendidas e identifica sinais precoces de recorrência da depressão, desenvolvendo um plano de ação preventivo. A eficácia da TCC no tratamento da depressão é estabelecida por mais de 75 metanálises, as quais demonstram tamanhos de efeito grandes (d=0,70-0,90), comparáveis aos de medicamentos antidepressivos, e superiores a longo prazo, devido à aquisição de habilidades cognitivo-comportamentais que persistem após o tratamento, reduzindo o risco de recaída em 50% em comparação com pacientes que descontinuaram a medicação. Assim, a TCC é recomendada como primeira linha de tratamento para depressão leve a moderada em monoterapia e para depressão moderada a severa em combinação com medicação, conforme diretrizes internacionais (APA, NICE). Isso torna essencial para os profissionais de saúde mental compreenderem o modelo cognitivo da depressão e dominarem as técnicas específicas da TCC, a fim de oferecer tratamentos baseados em evidências que maximizem a recuperação funcional dos pacientes deprimidos.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem psicoterapêutica bem estruturada e fundamentada em evidências, desenvolvida por Aaron Beck e Albert Ellis nas décadas de 1960. O que a distingue essencialmente de outras orientações terapêuticas são suas características específicas, que incluem um foco no presente e no futur o (trabalhando questões atuais e desenvolvendo habilidades para o futuro em vez de uma ampla exploração do passado), uma estrutura sistemática nas sessões (com uma agenda colaborativa, tarefas de casa definidas e mensuração objetiva do progresso, em contrapartida a sessões não-diretivas que fluem livremente), e um modelo teórico que liga cognições, emoções e comportamentos (onde os pensamentos influenciam as emoções e comportamentos, e as cognições disfuncionais são modificadas por técnicas específicas, ao invés de modelos psicodinâmicos que exploram o inconsciente e a transferência ou abordagens humanistas que focam na autorrealização). A TCC adota uma orientação voltada para a solução de problemas (identificando questões específicas e mensuráveis e aplicando técnicas direcionadas, em contraste com um enfoque mais amplo em insights e crescimento pessoal) e apresenta uma brevidade relativa (comumente de 12 a 20 sessões para transtornos frequentes, ao passo que a psicanálise tradicional pode prolongar-se por anos). Além disso, destaca-se sua ênfase no empirismo colaborativo (onde terapeuta e paciente testam hipóteses por meio de experimentos comportamentais, em oposição a interpretações do terapeuta ou reflexões não-diretivas). Essa abordagem contrasta especialmente com a psicanálise/psicodinâmica, que foca em conflitos inconscientes do passado por meio de interpretações de transferência e resistência ao longo de muitos anos de terapia, assim como com abordagens humanistas (como as de Rogers e Gestalt), que enfatizam aceitação incondicional e empatia para facilitar a autorrealização, em comparação com técnicas estruturadas de mudança. Inclusive se comparamos com as terapias cognitivas de terceira onda (como ACT e DBT), que diferem da TCC tradicional ao buscar não apenas a mudança no conteúdo das cognições, mas na relação que se estabelece com elas (como no caso da defusão e aceitação abordadas pela ACT) e na adição de validação dialética e regulação emocional intensa pela DBT, além das técnicas padrão da TCC. Compreender essas diferenças fundamentais é essencial para a escolha da terapia mais adequada de acordo com o transtorno específico (com a TCC apresentando forte evidência para ansiedade, depressão e TOC, a DBT sendo indicada para Borderline e a psicodinâmica oferecendo insights profundos sobre conflitos relacionais), as preferências do paciente (por exemplo, alguns podem preferir a estrutura da TCC enquanto outros optam pela exploração psicodinâmica ou acolhimento humanista) e os objetivos do tratamento (como busca por redução rápida de sintomas versus crescimento pessoal a longo prazo). É importante reconhecer que múltiplas abordagens podem ser eficazes por meio de mecanismos distintos e que uma integração eclética e responsiva pode proporcionar a flexibilidade terapêutica necessária para otimizar resultados individualizados.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT - Acceptance and Commitment Therapy) , desenvolvida por Steven Hayes e seus colegas em 1999 , representa uma abordagem terapêutica de terceira onda dentro das terapias cognitivo-comportamentais , com foco no desenvolvimento da flexibilidade psicológica . Esta flexibilidade refere-se à capacidade de estar plenamente presente e contatar experiências internas desafiadoras , como pensamentos, emoções e sensações, sem recorrer à esquiva experiencial, ao invés de tentar mudá-las ou controlá-las. Simultaneamente, busca-se tomar ações direcionadas a valores pessoais significativos. A ACT operacionaliza essa flexibilidade por meio de seis processos centrais interconectados, apresentados no modelo Hexaflex , que inclui aceitação (a abertura voluntária à experiência interna em contraste com a esquiva), defusão cognitiva (a observação de pensamentos como eventos mentais passageiras em vez de verdades absolutas), o eu-contexto (a perspectiva do eu como um observador que transcende o conteúdo da experiência), o contato com o momento presente (uma atenção plena flexível no aqui e agora em oposição à ruminação sobre o passado e à preocupação com o futuro), valores clarificados (as direções de vida escolhidas livremente que refletem as importâncias mais profundas) e ação comprometida (padrões de ação orientados por valores, mesmo diante de barreiras psicológicas). Esse enfoque distingue-se fundamentalmente da terapia cognitivo-comportamental tradicional de primeira onda, que se concentra na mudança do conteúdo das cognições disfuncionais por meio da reestruturação cognitiva que questiona a validade de pensamentos negativos. Em contrapartida, a ACT propõe uma mudança na relação com as cognições (e não no conteúdo delas) , utilizando a defusão para reconhecer os pensamentos como eventos mentais não literais, permitindo, assim, uma ação orientada por valores, independentemente da presença de pensamentos e emoções difíceis. A aplicação da ACT fundamenta-se na Teoria da Moldura Relacional (Relational Frame Theory - RFT) , que explica como a linguagem e a cognição humanas geram sofrimento psicológico por meio de processos simbólicos verbais, como fusão cognitiva, raciocínios distorcidos e esquiva experiencial. Isso torna a ACT uma abordagem paradoxal, pois seu objetivo não é eliminar sintomas (como ansiedade, tristeza ou dor), mas sim aumentar a disposição para experimentá-los enquanto se avança em direção a uma vida significativa e orientada por valores. A eficácia da ACT é particularmente evidente em condições onde o controle ou a esquiva dos sintomas perpetuam o problema, como na ansiedade generalizada, dor crônica ou depressão recorrente. Esta eficácia é corroborada por mais de 300 ensaios clínicos randomizados, que demonstram a eficácia da ACT com tamanhos de efeito moderados a grandes (d=0,50-0,80) , sendo comparável à terapia cognitivo-comportamental tradicional, mas com a vantagem adicional de apresentar uma menor taxa de recaída a longo prazo em condições crônicas.
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