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Como integrar esquemas nucleares e intervenções de terceira onda à formulação de caso em TCC

À medida que a prática clínica em Terapia Cognitivo Comportamental amadurece, torna se cada vez mais evidente que formular bem um caso exige ir além da identificação de pensamentos automáticos. Muitos pacientes apresentam padrões rígidos, recorrentes e transdiagnósticos que não se explicam apenas por distorções cognitivas situacionais.


É nesse ponto que entram os esquemas nucleares e as intervenções de terceira onda, quando integrados de forma criteriosa à formulação de caso.


Integrar não significa substituir a TCC tradicional, mas ampliar o raciocínio clínico, mantendo coerência teórica, precisão conceitual e foco em processos psicológicos baseados em evidências.


Neste texto, discutimos como integrar esquemas nucleares e intervenções de terceira onda à formulação de caso em TCC, com critérios clínicos claros, cuidados conceituais e exemplos de aplicação prática.


O que são esquemas nucleares e como se relacionam às crenças centrais


Esquemas nucleares podem ser compreendidos como estruturas cognitivas profundas, organizadas a partir de experiências precoces e responsáveis por orientar a forma como o indivíduo interpreta a si mesmo, os outros e o mundo. Na TCC, eles se aproximam conceitualmente das crenças centrais, embora não sejam sinônimos absolutos.


A diferenciação entre crenças centrais, crenças intermediárias e pensamentos automáticos é fundamental para evitar confusões conceituais, como discutido em crenças centrais, crenças intermediárias e pensamentos automáticos na TCC.


Enquanto pensamentos automáticos são acessíveis e situacionais, esquemas nucleares organizam padrões duradouros de funcionamento emocional e comportamental, exigindo estratégias clínicas específicas.


Por que integrar intervenções de terceira onda à formulação de caso


Pacientes com esquemas rígidos frequentemente apresentam:


  • Alto nível de fusão cognitiva
  • Evitação experiencial persistente
  • Rigidez comportamental apesar de insight
  • Reatividade emocional intensa
  • Dificuldade em aplicar reestruturação cognitiva clássica


Nesses casos, intervenções exclusivamente focadas em conteúdo cognitivo podem ser insuficientes. A integração com terapias de terceira onda permite trabalhar o contexto e a função dos eventos privados, sem abandonar a lógica da TCC baseada em evidências.


Essa ampliação é coerente com a evolução histórica da abordagem, como discutido em a relevância das ondas da TCC na psicoterapia contemporânea.


Formulação de caso como eixo integrador


Toda integração clínica precisa partir da formulação de caso, não da preferência técnica do terapeuta. A formulação continua sendo o eixo que organiza hipóteses, decisões e intervenções, como apresentado em formulação de caso em TCC a partir de crenças cognitivas.

Ao identificar esquemas nucleares predominantes, o terapeuta passa a formular não apenas o conteúdo cognitivo, mas também:


  • Padrões de evitação
  • Estratégias de enfrentamento disfuncionais
  • Relação do paciente com emoções difíceis
  • Rigidez ou flexibilidade psicológica


Essa formulação ampliada orienta quando e como integrar intervenções de terceira onda.


Critérios clínicos para integrar ACT à formulação de caso


A Terapia de Aceitação e Compromisso contribui especialmente quando a formulação aponta que o sofrimento é mantido por evitação experiencial e fusão cognitiva.


A ACT não substitui a TCC, mas oferece ferramentas para trabalhar a relação do paciente com seus pensamentos e emoções, como discutido em como a ACT promove a flexibilidade psicológica.


Critérios clínicos para integração incluem:


  • Tentativas repetidas de controle cognitivo sem sucesso
  • Crenças centrais altamente rígidas
  • Elevado custo funcional da evitação
  • Dificuldade em agir de acordo com valores


Nesses casos, técnicas de desfusão, aceitação e valores complementam o plano terapêutico sem romper com a lógica da formulação cognitiva.


Integração com DBT em casos de alta reatividade emocional


Quando a formulação revela desregulação emocional intensa, impulsividade e dificuldades interpessoais, a integração com estratégias da Terapia Comportamental Dialética pode ser indicada.


A DBT oferece ferramentas específicas para regulação emocional, tolerância ao sofrimento e habilidades interpessoais, como apresentado em DBT em contextos clínicos: guia completo para profissionais.


A integração ocorre quando o terapeuta identifica que, sem regulação mínima, intervenções cognitivas mais profundas tornam se inviáveis.


Esquemas nucleares, objetivos terapêuticos e plano de intervenção


Ao trabalhar com esquemas nucleares, os objetivos terapêuticos precisam ser realistas, graduais e mensuráveis, conforme discutido em como construir objetivos terapêuticos claros em TCC.


Objetivos comuns nessa fase incluem:


  • Reduzir fusão com pensamentos esquemáticos
  • Aumentar flexibilidade comportamental
  • Ampliar repertório de enfrentamento emocional
  • Testar novos padrões relacionais


Esses objetivos orientam um plano de intervenção integrado, como descrito em plano de intervenção em TCC.


Avaliação de progresso em intervenções integrativas


Avaliar progresso em intervenções integrativas exige olhar para além da redução sintomática. Indicadores relevantes incluem:


  • Menor rigidez cognitiva
  • Aumento da tolerância emocional
  • Maior alinhamento comportamental com valores
  • Redução de evitação
  • Melhora funcional no cotidiano


Esses critérios são aprofundados em como avaliar se a intervenção em TCC está funcionando.


Cuidados éticos e conceituais na integração


A integração entre TCC e terapias de terceira onda exige alguns cuidados:


  • Evitar misturar técnicas sem coerência funcional
  • Manter clareza conceitual ao comunicar intervenções ao paciente
  • Justificar cada técnica a partir da formulação
  • Monitorar efeitos e ajustar o plano quando necessário


A revisão contínua do plano terapêutico é parte desse processo, conforme discutido em quando revisar e ajustar o plano terapêutico em TCC.


Considerações finais


Integrar esquemas nucleares e intervenções de terceira onda à formulação de caso em TCC não é sinal de ecletismo teórico, mas de sofisticação clínica. Quando essa integração é guiada por uma formulação clara, objetivos bem definidos e avaliação contínua, ela amplia a potência terapêutica sem comprometer o rigor científico.


A TCC contemporânea não é uma técnica única, mas um modelo clínico flexível, baseado em processos e evidências, capaz de responder à complexidade dos casos reais.


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Por Matheus Santos 25 de maio de 2026
Os testes de Fluência Verbal avaliam a capacidade de gerar palavras rapidamente sob restrições específicas.  Existem duas versões principais: Fluência Fonêmica (FAS - gerar palavras começando com letras específicas) e Fluência Semântica (Animais - gerar nomes de animais). Avaliam funções executivas, acesso lexical e linguagem, sendo sensíveis a lesões frontais (fonêmica) e temporais (semântica). Ficha Técnica NOME: Testes de Fluência Verbal - FAS e Animais EDITORA BRASIL: Domínio público / múltiplas fontes DISPONIBILIDADE BRASIL: Amplamente disponível POPULAÇÃO: Crianças (8+), adultos TEMPO: 3 minutos total (1 min cada letra/categoria)
Por Matheus Santos 25 de maio de 2026
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O BAI (Beck Anxiety Inventory) é uma escala autoaplicável amplamente utilizada para avaliar a intensidade de sintomas ansiosos. Desenvolvido por Aaron Beck em 1988, o instrumento contém 21 itens focando predominantemente em sintomas somáticos e fisiológicos da ansiedade. A adaptação brasileira é realizada pela Casa do Psicólogo e está aprovada pelo SATEPSI para uso profissional no Brasil. Ficha Técnica NOME: BAI - Inventário de Ansiedade de Beck AUTOR: Aaron T. Beck (1988) EDITORA BRASIL: Hogrefe DISPONIBILIDADE BRASIL: Sim POPULAÇÃO: Adolescentes (13+) e adultos TEMPO: 5-10 minutos  APROVAÇÃO SATEPSI: Sim
Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
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Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
BDI-II (O Inventário de Depressão de Beck – Segunda Edição, desenvolvido por Aaron Beck e colaboradores (1996), com adaptação brasileira pela Casa do Psicólogo (2011), é um instrumento autoaplicável amplamente reconhecido mundialmente para a avaliação rápida da intensidade dos sintomas depressivos. Composto por 21 itens, abrange sintomas cognitivos (como desesperança, autocrítica e ideação suicida), afetivos (tristeza, anedonia e choro), somáticos (fadiga, alterações no sono e apetite, e sintomas físicos) e comportamentais (agitação, retardo psicomotor e perda de interesse), fundamenta-se nos critérios diagnósticos do DSM-IV para o Transtorno Depressivo Maior. O respondente deve selecionar a afirmação (avaliada de 0 a 3 pontos para cada item) que melhor descreve como se sentiu nas ÚLTIMAS DUAS SEMANAS, resultando em uma pontuação total que varia de 0 a 63 pontos, interpretada conforme os pontos de corte estabelecidos (0-13 = depressão mínima, 14-19 = leve, 20-28 = moderada, 29-63 = grave). Assim, permite uma triagem rápida de episódios depressivos, monitoramento longitudinal dos sintomas ao longo do tratamento psicoterapêutico ou farmacológico, e avaliação da eficácia das intervenções através da comparação dos escores pré e pós-tratamento.  As vantagens do BDI-II incluem uma aplicação extremamente rápida (entre 5 a 10 minutos de autoaplicação), baixo custo (sendo um instrumento de domínio público no Brasil após a adaptação validada), boa aceitabilidade entre os pacientes (devido às questões claras e diretas) e uma extensa base de evidências psicométricas que demonstram validade e fidedignidade adequadas para a população brasileira (com alpha de Cronbach superior a 0,90 e correlações esperadas com outros instrumentos de avaliação da depressão). Por essas razões, o BDI-II torna-se uma ferramenta essencial na prática clínica de psicólogos e psiquiatras, tanto para a triagem inicial quanto para o acompanhamento sistemático da evolução da sintomatologia depressiva em pacientes atendidos ambulatorialmente.
Por Matheus Santos 21 de maio de 2026
O WISC-V (Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças - Quinta Edição), desenvolvido por David Wechsler e publicado originalmente em 2014 nos Estados Unidos, teve sua adaptação brasileira realizada pela Pearson Clinical/Casa do Psicólogo entre 2021 e 2022. Este instrumento é considerado o padrão-ouro na avaliação da inteligência de crianças e adolescentes com idades entre 6 anos e 0 meses até 16 anos e 11 meses, oferecendo uma medida abrangente do funcionamento cognitivo por meio de cinco índices principais: Índice de Compreensão Verbal (ICV), que mensura o raciocínio verbal, compreensão e conhecimento adquirido; Índice Visuoespacial (IVE), que avalia o raciocínio visuoespacial e a integração; Índice de Raciocínio Fluido (IRF), que mede o raciocínio indutivo/dedutivo e quantitativo; Índice de Memória Operacional (IMO), que avalia a memória de trabalho; e Índice de Velocidade de Processamento (IVP), que mensura a velocidade de processamento da informação visual. Esses índices são derivados de 10 subtestes principais e 5 suplementares, permitindo o cálculo do QI Total, que oferece uma estimativa global da capacidade intelectual e uma análise detalhada do perfil cognitivo, identificando forças e fraquezas específicas da criança, elemento crucial para o diagnóstico diferencial de dificuldades de aprendizagem (como dislexia e discalculia), superdotação, TDAH, deficiência intelectual, e no planejamento de intervenções educacionais individualizadas. A aplicação do WISC-V exige que seja realizada de forma individual e padronizada (com uma duração típica entre 60 a 90 minutos) por um psicólogo treinado, seguindo rigorosos protocolos que garantem a validade dos resultados. A correção resulta em escores padronizados (com média 100 e desvio-padrão 15 para o QI Total e índices; média 10 e desvio-padrão 3 para os subtestes), permitindo a comparação do desempenho da criança com grupos normativos da mesma faixa etária.  A interpretação é realizada em múltiplos níveis, começando pelo QI Total (indicador da capacidade geral), avançando para a análise dos índices específicos, que revelam um padrão único das habilidades cognitivas da criança e informam hipóteses clínicas relacionadas ao seu funcionamento neuropsicológico subjacente e às suas necessidades educacionais específicas.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para depressão, desenvolvida por Aaron Beck na década de 1960, fundamenta-se na observação clínica de que pacientes deprimidos tendem a apresentar padrões de pensamento sistematicamente negativos e distorcidos, os quais precedem e mantêm o humor depressivo. Essa abordagem consiste em um tratamento psicológico estruturado e baseado em evidências, que foca na identificação e modificação de cognições disfuncionais (pensamentos automáticos negativos sobre si mesmo, o mundo e o futuro, formando a tríade cognitiva negativa característico da depressão) e de padrões comportamentais desadaptativos (como inatividade, isolamento social e evitação de atividades prazerosas, os quais perpetuam a anedonia). A TCC utiliza técnicas específicas, incluindo reestruturação cognitiva (através do questionamento socrático sobre as evidências dos pensamentos negativos e a geração de alternativas equilibradas e realistas), ativação comportamental (com o agendamento sistemático de atividades prazerosas e de maestria, combatendo a inércia depressiva), monitoramento de pensamentos e emoções através de registros diários que revelam as conexões entre cognição e humor, experimentos comportamentais que testam a validade de predições catastróficas, e modificação de esquemas subjacentes (como crenças nucleares profundas, tais como "Sou inadequado" e "Não sou amável", desenvolvidas a partir de experiências adversas na infância). O tratamento é normalmente organizado em um protocolo estruturado de 12 a 20 sessões, incluindo uma fase inicial de avaliação e construção de uma relação terapêutica colaborativa, uma fase de intervenção ativa que aplica técnicas cognitivo-comportamentais focadas nos sintomas específicos identificados (como humor deprimido, anedonia, desesperança, inatividade e pensamentos suicidas, quando presentes), e uma fase de prevenção de recaída, que consolida as habilidades aprendidas e identifica sinais precoces de recorrência da depressão, desenvolvendo um plano de ação preventivo. A eficácia da TCC no tratamento da depressão é estabelecida por mais de 75 metanálises, as quais demonstram tamanhos de efeito grandes (d=0,70-0,90), comparáveis aos de medicamentos antidepressivos, e superiores a longo prazo, devido à aquisição de habilidades cognitivo-comportamentais que persistem após o tratamento, reduzindo o risco de recaída em 50% em comparação com pacientes que descontinuaram a medicação. Assim, a TCC é recomendada como primeira linha de tratamento para depressão leve a moderada em monoterapia e para depressão moderada a severa em combinação com medicação, conforme diretrizes internacionais (APA, NICE). Isso torna essencial para os profissionais de saúde mental compreenderem o modelo cognitivo da depressão e dominarem as técnicas específicas da TCC, a fim de oferecer tratamentos baseados em evidências que maximizem a recuperação funcional dos pacientes deprimidos.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem psicoterapêutica bem estruturada e fundamentada em evidências, desenvolvida por Aaron Beck e Albert Ellis nas décadas de 1960. O que a distingue essencialmente de outras orientações terapêuticas são suas características específicas, que incluem um foco no presente e no futur o (trabalhando questões atuais e desenvolvendo habilidades para o futuro em vez de uma ampla exploração do passado), uma estrutura sistemática nas sessões (com uma agenda colaborativa, tarefas de casa definidas e mensuração objetiva do progresso, em contrapartida a sessões não-diretivas que fluem livremente), e um modelo teórico que liga cognições, emoções e comportamentos (onde os pensamentos influenciam as emoções e comportamentos, e as cognições disfuncionais são modificadas por técnicas específicas, ao invés de modelos psicodinâmicos que exploram o inconsciente e a transferência ou abordagens humanistas que focam na autorrealização). A TCC adota uma orientação voltada para a solução de problemas (identificando questões específicas e mensuráveis e aplicando técnicas direcionadas, em contraste com um enfoque mais amplo em insights e crescimento pessoal) e apresenta uma brevidade relativa (comumente de 12 a 20 sessões para transtornos frequentes, ao passo que a psicanálise tradicional pode prolongar-se por anos). Além disso, destaca-se sua ênfase no empirismo colaborativo (onde terapeuta e paciente testam hipóteses por meio de experimentos comportamentais, em oposição a interpretações do terapeuta ou reflexões não-diretivas). Essa abordagem contrasta especialmente com a psicanálise/psicodinâmica, que foca em conflitos inconscientes do passado por meio de interpretações de transferência e resistência ao longo de muitos anos de terapia, assim como com abordagens humanistas (como as de Rogers e Gestalt), que enfatizam aceitação incondicional e empatia para facilitar a autorrealização, em comparação com técnicas estruturadas de mudança. Inclusive se comparamos com as terapias cognitivas de terceira onda (como ACT e DBT), que diferem da TCC tradicional ao buscar não apenas a mudança no conteúdo das cognições, mas na relação que se estabelece com elas (como no caso da defusão e aceitação abordadas pela ACT) e na adição de validação dialética e regulação emocional intensa pela DBT, além das técnicas padrão da TCC. Compreender essas diferenças fundamentais é essencial para a escolha da terapia mais adequada de acordo com o transtorno específico (com a TCC apresentando forte evidência para ansiedade, depressão e TOC, a DBT sendo indicada para Borderline e a psicodinâmica oferecendo insights profundos sobre conflitos relacionais), as preferências do paciente (por exemplo, alguns podem preferir a estrutura da TCC enquanto outros optam pela exploração psicodinâmica ou acolhimento humanista) e os objetivos do tratamento (como busca por redução rápida de sintomas versus crescimento pessoal a longo prazo). É importante reconhecer que múltiplas abordagens podem ser eficazes por meio de mecanismos distintos e que uma integração eclética e responsiva pode proporcionar a flexibilidade terapêutica necessária para otimizar resultados individualizados.
Por Matheus Santos 17 de maio de 2026
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT - Acceptance and Commitment Therapy) , desenvolvida por Steven Hayes e seus colegas em 1999 , representa uma abordagem terapêutica de terceira onda dentro das terapias cognitivo-comportamentais , com foco no desenvolvimento da flexibilidade psicológica . Esta flexibilidade refere-se à capacidade de estar plenamente presente e contatar experiências internas desafiadoras , como pensamentos, emoções e sensações, sem recorrer à esquiva experiencial, ao invés de tentar mudá-las ou controlá-las. Simultaneamente, busca-se tomar ações direcionadas a valores pessoais significativos. A ACT operacionaliza essa flexibilidade por meio de seis processos centrais interconectados, apresentados no modelo Hexaflex , que inclui aceitação (a abertura voluntária à experiência interna em contraste com a esquiva), defusão cognitiva (a observação de pensamentos como eventos mentais passageiras em vez de verdades absolutas), o eu-contexto (a perspectiva do eu como um observador que transcende o conteúdo da experiência), o contato com o momento presente (uma atenção plena flexível no aqui e agora em oposição à ruminação sobre o passado e à preocupação com o futuro), valores clarificados (as direções de vida escolhidas livremente que refletem as importâncias mais profundas) e ação comprometida (padrões de ação orientados por valores, mesmo diante de barreiras psicológicas). Esse enfoque distingue-se fundamentalmente da terapia cognitivo-comportamental tradicional de primeira onda, que se concentra na mudança do conteúdo das cognições disfuncionais por meio da reestruturação cognitiva que questiona a validade de pensamentos negativos. Em contrapartida, a ACT propõe uma mudança na relação com as cognições (e não no conteúdo delas) , utilizando a defusão para reconhecer os pensamentos como eventos mentais não literais, permitindo, assim, uma ação orientada por valores, independentemente da presença de pensamentos e emoções difíceis. A aplicação da ACT fundamenta-se na Teoria da Moldura Relacional (Relational Frame Theory - RFT) , que explica como a linguagem e a cognição humanas geram sofrimento psicológico por meio de processos simbólicos verbais, como fusão cognitiva, raciocínios distorcidos e esquiva experiencial. Isso torna a ACT uma abordagem paradoxal, pois seu objetivo não é eliminar sintomas (como ansiedade, tristeza ou dor), mas sim aumentar a disposição para experimentá-los enquanto se avança em direção a uma vida significativa e orientada por valores. A eficácia da ACT é particularmente evidente em condições onde o controle ou a esquiva dos sintomas perpetuam o problema, como na ansiedade generalizada, dor crônica ou depressão recorrente. Esta eficácia é corroborada por mais de 300 ensaios clínicos randomizados, que demonstram a eficácia da ACT com tamanhos de efeito moderados a grandes (d=0,50-0,80) , sendo comparável à terapia cognitivo-comportamental tradicional, mas com a vantagem adicional de apresentar uma menor taxa de recaída a longo prazo em condições crônicas.
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